Em busca do lagartinho-de-Linhares (Ameivula nativo)
Pedro Peloso
De sol a sol, atrás de uma lagartixa. Pense num calor muito grande! Agora pense num calor maior ainda! Esse é o ambiente que o “lagartinho-de Linhares” gosta de viver. 
É uma espécie de lagarto adaptada aos ambientes de restinga — opa, peraí, o que é uma restinga? As restingas comuns no litoral do Brasil, perto das praias, com o chão de areia bem branca, aonde já crescem algumas plantas (maior parte é grama ou árvores muito pequenas). Pois saiba que esses ambientes são muito frágeis… por exemplo, só de pisar na vegetação, podemos causar problemas por muito tempo, por que as plantinhas morrem e outras demoram muito a crescer por ali. Essas restingas são ambientes muito especiais. Por serem diferentes do resto das florestas, algumas plantas e animais se adaptaram a esses ambientes e não sobrevivem em outro lugar. É o caso do lagartinho-de-linhares, que tem o nome científico de Ameivula nativo.  Quando eu era estudante de biologia, eu estudei justamente esse bichinho, numa restinga lá no Espírito Santo. Pouco se conhecia sobre esse lagartinho, e eu queria saber que hora ele acordava, que hora procurava comida, quando ia dormir. Pra isso, eu precisava acordar muito cedo, antes do sol nascer, e ia pro campo, pra fazer minhas anotações. De hora em hora, eu caminhava pela areia da restinga contando os bichinhos que apareciam. Eu fazia isso até o sol ir embora. Fiz um ano inteirinho! Pode me chamar de maluco, andando no sol atrás de um lagarto, onde já se viu? Mas de maluco eu não tenho nada! Eu descobri que esse lagartinho é que é o maluco… não é que ele gosta de andar na areia quente. O lagartinho acordava bem cedo, as sete da manhã, e zanzava pela areia até umas duas horas da tarde, quando a temperatura começa a baixar. Esse lagarto doido é mais ativo nas horas mais quentes do dia.