Em busca da misteriosa perereca de capacete​ (Aparasphenodon pomba)
Pedro Peloso
Ah que saudade…  Faz um tempo, pouco mais de um ano,  fiz uma viagem com alguns amigos para fotografar alguns dos sapos mais raros do Rio de Janeiro e Minas Gerais. Lá pelo meio da viagem, todo mundo já meio cansado, chegamos em Cataguases, uma cidadezinha linda no interior de Minas Gerais. Lá o nosso time se encontrou com uma turma de pesquisadores de peso, quatro biólogos mineiros (e apaixonados por pão de queijo). Um deles, era o Clodoaldo, um sujeito calado, tímido, mas também muito sabido. O Clodoaldo conhece as florestas e os bichos de Cataguases como ninguém. Em 2008, em suas andanças pela região, ele descobriu uma perereca muito misteriosa. Era uma espécie que ninguém sabia que existia, nem mesmo os cientistas de sapo! É um bicho lindo, meio marrom, meio dourado, dos olhos bem vermelhos – parece até que fora pintado!
Esse bichinho que o Clodoaldo descobriu, foi chamado de Aparasphenodon pomba! Uai, mas que nome complicado, né? Mais fácil é chamar de Perereca-de-capacete do Rio Pomba. Pois bem, essa perereca é um dos bichos mais ameaçados de extinção no Brasil inteirinho. Ela só existe ali, num restinho de floresta, que sobrou dentro de um sítio. Toda a floresta em volta já virou pastagem ou plantação, que tristeza…  O tempo era pouco, só tínhamos uma noite para procurar o bicho no mato. Enquanto enchemos a barriga de pão de queijo numa padaria por ali, perguntei pro Clodoaldo, que conhece muito dessa perereca, qual a chance de encontrar o bicho. Ele falou: de zero a dez, a chance é um! Eita!!!!  Chegando no sítio, o Clodoaldo apontava pra um bambuzal e falava: “é aqui que os machos cantam…” mas naquela noite tava um silêncio danado. Chance de 1 em 10, nenhum bicho vocalizando, eu pensei… será que não vamos encontrar essa tal perereca?  Procuramos, procuramos, procuramos… Resolvemos que era hora de ir embora, e nada da tal perereca. Até que o Clodoaldo falou: “vamos ali num outro canto, nunca peguei essa espécie por lá, mas vai que damos sorte!” E não é que o danado tava certo! Achamos uma pererequinha, paradinha em cima de um bambu, espiando o movimento. Que animal lindo…  As caras de cansaço logo viraram enormes sorrisos. Pra quem já conhecia a espécie, a felicidade era ter mostrado pra gente, que não conhecia. Quem não conhecia era só alegria vendo um bichinho tão bonito e tão raro pela primeira vez. Era um misto de felicidade e dever cumprido.  Ter a oportunidade de ver, na natureza, uma das espécies de sapo mais ameaçadas do planeta, que baita sorte. Esse foi um dos dias mais legais da minha vida de sapólogo. Nunca vou esquecer! Ah que saudade.